terça-feira, 12 de novembro de 2013

Poema de Carlos Drummond de Andrade

Especulações em torno da palavra homem

 

Mas que coisa é homem,
que há sob o nome:
uma geografia?
um ser metafísico?
uma fábula sem
signo que a desmonte?
Como pode o homem
sentir-se a si mesmo,
quando o mundo some?
Como vai o homem
junto de outro homem,
sem perder o nome?
E não perde o nome
e o sal que ele come
nada lhe acrescenta
nem lhe subtrai
da doação do pai?
Como se faz um homem?
Apenas deitar,
copular, à espera
de que do abdômen
brote a flor do homem?
Como se fazer
a si mesmo, antes
de fazer o homem?
Fabricar o pai
e o pai e outro pai
e um pai mais remoto
que o primeiro homem?
Quanto vale o homem?
Menos, mais que o peso?
Hoje mais que ontem?
Vale menos, velho?
Vale menos morto?
Menos um que outro,
se o valor do homem
é medida de homem?
Como morre o homem,
como começa a?
Sua morte é fome
que a si mesma come?
Morre a cada passo?
Quando dorme, morre?
Quando morre, morre?
A morte do homem
consemelha a goma
que ele masca, ponche
que ele sorve, sono
que ele brinca, incerto
de estar perto, longe?
Morre, sonha o homem?
Por que morre o homem?
Campeia outra forma
de existir sem vida?
Fareja outra vida
não já repetida,
em doido horizonte?
Indaga outro homem?
Por que morte e homem
andam de mãos dadas
e são tão engraçadas
as horas do homem?
mas que coisa é homem?
Tem medo de morte,
mata-se, sem medo?
Ou medo é que o mata
com punhal de prata,
laço de gravata,
pulo sobre a ponte?
Por que vive o homem?
Quem o força a isso,
prisioneiro insonte?
Como vive o homem,
se é certo que vive?
Que oculta na fronte?
E por que não conta
seu todo segredo
mesmo em tom esconso?
Por que mente o homem?
mente mente mente
desesperadamente?
Por que não se cala,
se a mentira fala,
em tudo que sente?
Por que chora o homem?
Que choro compensa
o mal de ser homem?
Mas que dor é homem?
Homem como pode
descobrir que dói?
Há alma no homem?
E quem pôs na alma
algo que a destrói?
Como sabe o homem
o que é sua alma
e o que é alma anônima?
Para que serve o homem?
para estrumar flores,
para tecer contos?
Para servir o homem?
Para criar Deus?
Sabe Deus do homem?
E sabe o demônio?
Como quer o homem
ser destino, fonte?
Que milagre é o homem?
Que sonho, que sombra?
Mas existe o homem?

 

sábado, 9 de novembro de 2013

Dizer o que sente, exatamente como que sente.

      Dizer o que sente,exatamente como se sente.Este é o estilo de Fernando Pessoa.Esse recurso,todavia,pode ser sofredor para alguns poetas porque não há  expressões no seu vocabulário.Nenhuma palavra,nenhum recurso sintático vai resguardar o sentimento do poeta.Entretanto, há uma saga por uma escrita mais exata e precisa,pois o poeta está preso as normas de sua gramática.
      Em linhas gerais,as gramáticas normativas se limitam a apresentar uma lista de princípios para o bom uso da fala e da escrita,porém, este modelo não alcança a exortação do poeta, no entanto, há poetas que obedecem porque não sabem pensar o que sentem.Eis a crítica de Fernando Pessoa.Para ele,o verdadeiro artista é aquele que imprime seu estilo criativo independente de qualquer prescrição.Para dizer o que sente é preciso está consigo, interligar as palavras com suas emoções, sem subterfúgio.
       As músicas "Língua" e "circulador de fulô", de Caetano Veloso, se assemelha ao estilo de Pessoa.Nelas o cantor derrama a sua autonomia artística e faz da música sua metalinguagem.As músicas relatam a variabilidade da língua e as confusões de linguagens encontradas na população brasileira.Caetano questiona o poder da nossa língua e a influências do estrangeiro clamando assim, por uma arte com todos os aspectos brasileiro.Fernando Pessoa e Caetano Veloso tem portanto a noção que o dizer vai além de qualquer norma,está inerente ao homem.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

As redes com a escola

    Estou de volta.Colocarei aqui dois texto que gostei de elaborar.Esses textos  fazem parte do curso de filosofia,uma parte da avaliação.O primeiro é tipo uma resenha feita da introdução do livro de Paula Sibilia, o segundo é uma breve analise de alguns trechos de Fernando Pessoa e da música de Caetano Veloso.
    Vamos ao primeiro texto:
    A introdução do livro Rede ou paredes de Paula Sibilia apresenta uma discussão em relação ao novo tipo de estudante que a sociedade está formando.Em meio ao turbilhão de transformações geradas pelo o advento da tecnologia, Paula questiona qual seria o papel da escola nesse processo efervescente.
   De fato,a configuração da nossa sociedade atual não nos permite ter dogmas ou preceitos já obsoletos.Sendo assim, temos uma árdua tarefa de construir uma escola que abarque nossas necessidades e que não forje o surgimento de um ser pensante.
   Cabe a escola o poder de instigar a construção e o desenvolvimento do jovem estudante para que ele possa renovar incessantemente as suas possibilidades existenciais.Entretanto, como fazê-lo? Até que ponto a escola é útil para isso?
   Paula traz um infinito debate, no qual, as soluções se deve desentranhar de nós, membros da sociedade.Seu livro, no que tudo indica, não tem objetivo de moldar soluções, pelo ao contrário,ele que criar conflitos,multiplicar os caminhos da significação da escola.