terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Não espere.


Não sei o que sinto, há uma confusão de vozes dentro de mim, mas sei que sinto e isso me promove ao abismo,a angústia do existir. Não sei bem o que amar, mas meu coração já disparou por duas pessoas. Não sei dizer se foi amor. Já chorei? sim, por muitas coisas que talvez não tenham valido a pena. Não sou uma pessoa coerente.O que é ser coerente? As coisas não são muito fáceis? Depende do ponto de vista. A cada esforço que dou sinto que não é suficiente, procuro chegar no meu limite,porém esse limite é árduo,desgastante e às vezes me pergunto para quê.Qual é a finalidade do existir? Por que precisamos viver, chorar, sofrer, amar.O que ganhamos com isso?Experiência? E o que fazemos com ela?Sei lá. Isso tudo são divagações que procuro apenas refletir e guardar. Afinal, não há nada o que fazer. Apenas não esperar e viver.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Poema de Carlos Drummond de Andrade

Especulações em torno da palavra homem

 

Mas que coisa é homem,
que há sob o nome:
uma geografia?
um ser metafísico?
uma fábula sem
signo que a desmonte?
Como pode o homem
sentir-se a si mesmo,
quando o mundo some?
Como vai o homem
junto de outro homem,
sem perder o nome?
E não perde o nome
e o sal que ele come
nada lhe acrescenta
nem lhe subtrai
da doação do pai?
Como se faz um homem?
Apenas deitar,
copular, à espera
de que do abdômen
brote a flor do homem?
Como se fazer
a si mesmo, antes
de fazer o homem?
Fabricar o pai
e o pai e outro pai
e um pai mais remoto
que o primeiro homem?
Quanto vale o homem?
Menos, mais que o peso?
Hoje mais que ontem?
Vale menos, velho?
Vale menos morto?
Menos um que outro,
se o valor do homem
é medida de homem?
Como morre o homem,
como começa a?
Sua morte é fome
que a si mesma come?
Morre a cada passo?
Quando dorme, morre?
Quando morre, morre?
A morte do homem
consemelha a goma
que ele masca, ponche
que ele sorve, sono
que ele brinca, incerto
de estar perto, longe?
Morre, sonha o homem?
Por que morre o homem?
Campeia outra forma
de existir sem vida?
Fareja outra vida
não já repetida,
em doido horizonte?
Indaga outro homem?
Por que morte e homem
andam de mãos dadas
e são tão engraçadas
as horas do homem?
mas que coisa é homem?
Tem medo de morte,
mata-se, sem medo?
Ou medo é que o mata
com punhal de prata,
laço de gravata,
pulo sobre a ponte?
Por que vive o homem?
Quem o força a isso,
prisioneiro insonte?
Como vive o homem,
se é certo que vive?
Que oculta na fronte?
E por que não conta
seu todo segredo
mesmo em tom esconso?
Por que mente o homem?
mente mente mente
desesperadamente?
Por que não se cala,
se a mentira fala,
em tudo que sente?
Por que chora o homem?
Que choro compensa
o mal de ser homem?
Mas que dor é homem?
Homem como pode
descobrir que dói?
Há alma no homem?
E quem pôs na alma
algo que a destrói?
Como sabe o homem
o que é sua alma
e o que é alma anônima?
Para que serve o homem?
para estrumar flores,
para tecer contos?
Para servir o homem?
Para criar Deus?
Sabe Deus do homem?
E sabe o demônio?
Como quer o homem
ser destino, fonte?
Que milagre é o homem?
Que sonho, que sombra?
Mas existe o homem?

 

sábado, 9 de novembro de 2013

Dizer o que sente, exatamente como que sente.

      Dizer o que sente,exatamente como se sente.Este é o estilo de Fernando Pessoa.Esse recurso,todavia,pode ser sofredor para alguns poetas porque não há  expressões no seu vocabulário.Nenhuma palavra,nenhum recurso sintático vai resguardar o sentimento do poeta.Entretanto, há uma saga por uma escrita mais exata e precisa,pois o poeta está preso as normas de sua gramática.
      Em linhas gerais,as gramáticas normativas se limitam a apresentar uma lista de princípios para o bom uso da fala e da escrita,porém, este modelo não alcança a exortação do poeta, no entanto, há poetas que obedecem porque não sabem pensar o que sentem.Eis a crítica de Fernando Pessoa.Para ele,o verdadeiro artista é aquele que imprime seu estilo criativo independente de qualquer prescrição.Para dizer o que sente é preciso está consigo, interligar as palavras com suas emoções, sem subterfúgio.
       As músicas "Língua" e "circulador de fulô", de Caetano Veloso, se assemelha ao estilo de Pessoa.Nelas o cantor derrama a sua autonomia artística e faz da música sua metalinguagem.As músicas relatam a variabilidade da língua e as confusões de linguagens encontradas na população brasileira.Caetano questiona o poder da nossa língua e a influências do estrangeiro clamando assim, por uma arte com todos os aspectos brasileiro.Fernando Pessoa e Caetano Veloso tem portanto a noção que o dizer vai além de qualquer norma,está inerente ao homem.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

As redes com a escola

    Estou de volta.Colocarei aqui dois texto que gostei de elaborar.Esses textos  fazem parte do curso de filosofia,uma parte da avaliação.O primeiro é tipo uma resenha feita da introdução do livro de Paula Sibilia, o segundo é uma breve analise de alguns trechos de Fernando Pessoa e da música de Caetano Veloso.
    Vamos ao primeiro texto:
    A introdução do livro Rede ou paredes de Paula Sibilia apresenta uma discussão em relação ao novo tipo de estudante que a sociedade está formando.Em meio ao turbilhão de transformações geradas pelo o advento da tecnologia, Paula questiona qual seria o papel da escola nesse processo efervescente.
   De fato,a configuração da nossa sociedade atual não nos permite ter dogmas ou preceitos já obsoletos.Sendo assim, temos uma árdua tarefa de construir uma escola que abarque nossas necessidades e que não forje o surgimento de um ser pensante.
   Cabe a escola o poder de instigar a construção e o desenvolvimento do jovem estudante para que ele possa renovar incessantemente as suas possibilidades existenciais.Entretanto, como fazê-lo? Até que ponto a escola é útil para isso?
   Paula traz um infinito debate, no qual, as soluções se deve desentranhar de nós, membros da sociedade.Seu livro, no que tudo indica, não tem objetivo de moldar soluções, pelo ao contrário,ele que criar conflitos,multiplicar os caminhos da significação da escola.



quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A significação inválida

           Droga!Estava escrevendo um texto super legal,mas acho que perdi.Não salvei.Bem, estava escrevendo sobre o processo da escrita que ora me parece difícil, árduo noutra simples e objetiva.Como exemplo temos o texto em que estava elaborando minutos atrás,porém perdi porque não salvei.Toda as ideias e as palavras utilizadas foram perdidas, não irão voltar mais.O que estou a escrever nesse exato momento não tem nada igual ao que foi posto anteriormente.Esqueci.As palavras me fugiram.Assim como tempo nunca volta, esse texto não terá a mesma ideia e nem as mesmas palavras utilizadas noutro.É tênue nossa memória assim como a vida.
        Palavras difíceis,períodos bem elaborados,concatenados com  presença de coesão e coerências é obrigação de qualquer estudante, principalmente, aos alunos de letras, pois, conclui-se que estes gostem de escrever, têm uma boa erudição,fazem diversos tipos de leituras etc.Contudo, não sei se me enquadro nesse perfil. O texto Lendo Bandeira que inicie e até agora não tive coragem de continuar é um exemplo.Tive meus colapsos da escrita e das ideias.Parei de desenvolvê-lo porque me deu um pouco de preguiça e porque não achei as palavras à altura do poema.Sim.Às vezes me pego nessa perturbação.Acho que minha escrita, as palavras que utilizo para fazer referência ao poema /texto não estão na mesma eloquência.Sinto que por mais que eu use todo o meu vocabulário ou o dicionário nada vai conseguir dizer o que realmente me despertou ao ler cada palavra e, a significação do texto no mais intimo do meu ser ficará obscura, inválida.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Lendo Bandeira

         Já faz alguns dias que eu venho lendo a poesia do Manuel Bandeira.É incrível que a cada nova leitura do mesmo poema tenho perspectivas, sensações novas.
         Em  "Satélite" por exemplo, temos o clamor pela ordem natural e pela autenticidade. O desejo de desmitificar, tirar todo e qualquer atribuição a lua é no fundo confissões para retirada de qualquer máscara ou subterfúgio que esconda a verdade e a simplicidade das coisas.
        Ao atribuir o  título do poema com o nome satélite e não lua, o poeta retoma o significado puro da palavra,um corpo celeste que gira em torno de outro, e causa um impacto ao leitor, acostumados com as atribuições metaforizadas dadas pelos poetas românticos.De fato, Bandeira realiza uma critica a toda fantasia que criam em torno da palavra lua.Para ele o mais importante é querer a "coisa em si", isto é, na sua ordem natural, na sua autonomia,as coisas como elas são da forma que foram criadas, sem excedentes.
        O poema "Testamento" de alguma forma me toca e  me sensibiliza.Bandeira traz à tona seu descontentamentos, sentimentos vazios e projetos não alcançados.Na primeira estrofe o poeta anuncia :"o que não tenho e desejo/É que melhor me enriquece."o interesse, o gozo está naquilo que ele não possui.É um ser humano rico porque não possui as coisas que almejara.Além disso, Há uma acalanto: a prece, ou melhor, a elaboração do poema.

Vou parar por aqui.Mais tarde volto!!!

O indefínivel

Por que? qual foi o motivo do desprezo?Qual foi o desprezo? Por que esse sentimento persiste em me maltratar?Por que eu ainda vivo nele? Por que ainda mantenho essa esperança? Por que ainda sonho? Não é a toa que os contos de fadas são considerados imorredouros, perduráveis. Eu não saio deles.Acho que estou presa eternamente.