Desde do final do ano passado até o presente momento venho com o objetivo de colocar minhas leituras em dia.Tenho vários livros na estante que ainda não li, por isso resolvi lê-los. Até porque é essa minha profissão e, é isso o que eu escolhi ser: professora. Para tanto, preciso ler e refletir sobre o ato da escrita e confluir em mim.
Li Memorial do convento de José Saramago. Achei um romance muito bom, a parte que mais gostei do romance e que mais o eleva, na minha opinião, foi os instantes que Blimunda vi as vontades das pessoas,as coisas na sua profundidade.Gostei dessa parte porque achei incrível uma pessoa poder ver e roubar as vontades de outras pessoas. O desejo de saber o que está por detrás das coisas é intrigante. Vê a face dos desejos, os remorsos de cada indivíduo é estar em contato com o mundo apenas com os olhos e, percebe que não é a única que carrega o ódio, a angústia e o medo. Digo isso poque às vezes me sinto tão incapaz, tão burra, principalmente, no meu lado profissional. Sempre acho que falta algo, que não ficou bom. Me martirizo. Por isso gostei das revelações de Blimunda, isto é, do que ela via nas pessoas.Vontades que não cessam, que causam boas e más sensações, vontades que mudam,que destrói.
Blimunda jurou não ver as vontades de seu amado, Baltasar, apenas na sua morte que ela viu-as e roubo-as para si. Ela tinha medo do poderia ver, queria se ocultar do sofrimento que pudesse ter. Essa fragilidade de Blimunda só enfatiza a incompletude do homem e de como somos vulneráveis aos incertos desejos e imaginações desejadas. A história de Saramago de uma certa forma me tranquilizou e equilibrou minha mente.Nada pode ser completo, perfeito,mas devemos fazer o melhor para deixa nossa consciência em paz.